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[ Sábado, Fevereiro 16, 2008 ]

 
De créu em créu...

380 reais para 8 bilhões da mesma cifra é uma distância e tanto. Afinal, nos países latinos, principalmente no Brasil, a distância entre a camada dos 380 e a dos bilhões é sempre bem discrepante e vergonhosa. Melhor, como diria meu colega de letrinhas jornalísticas, esta distância é DESAVERGONHADA!!

O que a turma dos 380 reais faz com este conjunto de cedulazinhas? E o que aquela, que conseguiu lucrar somente em um ano, a cifra fabulosa de 8 bilhões, faz e fará com tanto dinheiro?

A turma das cedulazinhas é o que a turma dos bilhões fabulosos costuma chamar de Zé Povinho. Já a turma dos bilhões fabulosos é chamada pela turma das cedulazinhas, com uma pitada amarga de mágoa e inveja – com toda razão – de burgueses.

O Zé Povinho vive como pode. Ama gastar parte de seus 380 reais para ver e ouvir o incrível MC Créu, outra para passear na praça e comer churros, outra pra tomar o ônibus da madrugada de volta à periferia, outra pra tomar uma breja no bar da esquina e a outra... Acabaram as cedulazinhas... Ora, para onde foram?

Já eram... Já estão contabilizadas nos bilhões fabulosos do bom burguês. Na verdade, ele créu no Zé Povinho.

E de créu em créu, a turma dos bilhões fabulosos vê o fermento de sua massa crescer e o bolo a cada ano ficar mais saboroso. A caixa forte do Tio Patinhas é pequena perto do cofre desses burgueses nacionais. Ai... Mas, eles são ajudados... Tem um governo que atua para que o Zé Povinho ganhe apenas 380 cedulazinhas, pague um monte de juros, faça empréstimo em financeira de tanto ver comercial na TV, ganhe o bolsa-esmola e, agora, tem novidade gente!!!!

Vem aí o bolsa-geladeira! Isso mesmo! O Zé Povinho poderá levar sua geladeira velha, fazer um empréstimo bancário e levar uma novinha em folha. A idéia foi do Lula-lelé. Como pode? Ah, é para ajudar o burguês Gerdau... Siderurgia, sabe, esse negócio de aço vai render bilhões para esse burguês renomado e créu no Zé Povinho...

Mas, de novo, caramba!

Se o governo fosse maneiro e não existisse burguês, geladeiras deveriam ser doadas pra galera! Daí, também nem existiria Zé Povinho e nem créu...

E tem uma outra massa que nem chega a ser contabilizada como Zé Povinho, porque essa... Está na indigência, foi comida pelo créu do capital e agora vai de porta em porta, quando tem força, pedir aos crédulos um prato de comida.

Esses crédulos estão entre o Zé Povinho e os burgueses. Estão entre aqueles que conseguem ter por mês mais de 380 cedulazinhas e muito, mas muito menos de 8 bilhões delas. Estima-se que os crédulos, os remediados, abocanhem entre mil e três mil cedulazinhas, nada mal.... Mas, também nada bom...

Os crédulos pensam que são. Mas não são! Melhor são os mais sugados pelos burgueses, com maligna arquitetura política do governinho nacional. Ajudam no que podem o Zé Povinho porque têm consciência de que mais cedo ou mais tarde tornar-se-ão um deles. Os crédulos também se créus!

E de créu em créu não adianta crer. Enquanto os olhos não estiverem bem arregalados, a boca bastante aberta e a goela pronta pra dar um grito de socorro e impedir que esses bastardos políticos baseados no velho capital nos engulam, os burgueses vão continuar com seus bilhões. E nós, Zé Povinho tupiniquins de última categoria, ainda não na indigência, continuaremos com o governo que merecemos, com as suadas e contadas cedulazinhas e só levando créus.

ISABEL CARVALHO [7:29 AM]

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