As notícias se repetem. Mudam, às vezes, as personagens e o cenário
Em 2006, a primeira frustração hilária - para os amantes futebolísticos - a eliminação da Copa do Mundo. Aos jogadores trilionários, com suas campanhas na mídia para os mais variados tipos de produtos, tudo bem. Saíram da Alemanha como se nada tivesse acontecido. Mal sabiam eles, que o sonho dos bilhões de brasileiros famintos por heróis em tempos de crise e miséria, sucumbiu ao trivial retorno à rotina utópica brasileira.
Pão e circo: será disso que o povo precisa?
Bom, sem esculhambar aos colegas brasileiros, que como eu engrossam o coro do descontentamento nacional, a grande tenda está montada para o espetáculo eleitoral.
Agora, surge uma futura segunda frustração. No aspecto político, há uma distância enorme dos políticos que almejamos daqueles que estão em campanha. Todos farinha do mesmo saco, a mesma ladainha e o mesmo blá-blá-blá.
Fazer o quê então? Explodir os rádios, os televisores e usar lança-chamas nos panfletos infindáveis que destruíram milhares de árvores para fazer alusão às "péssimas propostas" dos políticos ou aspirantes aos cargos públicos?
É hora de repensar os governos que tivemos, os interesses que eles tiveram e o que eles fizeram para nós, o povo.
É ridículo. Nem sei se o sistema político brasileiro deveria ser a farsa da democracia vigente. Também exausta estou de ouvir discursos marxistas que jamais são praticados. A anarquia seria uma saída, mas ela já está aí colocada para todos.
Capitalismo, socialismo, social-democracia, anarquismo, socialismo libertário...
Com os atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos murcharam, sua economia arranhada com os gastos inócuos com a guerra no Iraque. Bush investiu pesado no poderio bélico e o país do Tio San vive conturbado pelo medo, pelo desemprego, pela queda na renda dos americanos, enfim, as coisas por lá não estão maravilhas.
Enquanto a crise mundial afeta todo os continentes, os países da América Latina, inteligentemente, aproveitam-se do descuido de Bush e tentam alavancar a soberania, independência e levam suas intenções políticas mais à esquerda.
No México, depois da rebelião de Chiapas, ressurge outra, a de Oaxaca. Insurgência bárbara dos índios e pobres mexicanos. Bravo!
Venezuela e Bolívia avançam contra o imperialismo bravamente. Claro que nem tudo é perfeito. É sempre bom lembrar dos interesses, das benesses e do toma-lá-da-cá dos governos plantonistas. Mas, claro, não deixa de ser um passo fundamental para o grito dos excluídos latino-americanos.
E o Brasil...
Com Lula, não dá certo, com FHC não deu certo, com Collor também e com os militares, sem comentários.
Há uma paralisia geral em todos os setores e camadas sociais. As eleições não deveriam ser obrigatórias a meu ver. E a quem devemos depositar nosso voto?
Mensaleiros, sanguessugas, privatistas, criadores de pedágios, sucateadores dos sistemas básicos e essencias como saúde, educação, moradia.
Confesso que estou apática, inerte e indiferente a tudo e a todos. Quem será que poderá nos salvar!! Os amores, os sem-teto, a polícia, o PCC, Heloísa Helena ou Sassá Mutema? No nosso caso, nem Cristo salva! Viva a barbárie mundial!
ISABEL CARVALHO [3:48 PM]