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[ Sexta-feira, Julho 15, 2005 ]

 
PUNK: trinta anos de protesto

Quincas Rodrigues, do Rio de Janeiro (RJ)


Era fácil ser jovem nos EUA e na Europa, nos anos que sucederam a Segunda Guerra Mundial. Na chamada Era de Ouro do capitalismo, a economia crescia continuamente, os níveis de desemprego eram irrisórios, e os salários cresciam junto com a produção. Era o nascimento da sociedade de consumo de massa, onde os desejos eram facilmente preenchidos pela compra de bens materiais.

Em meados dos anos 1960, este arranjo social é posto em cheque. Os movimentos sociais de 1968 aparecem como uma fratura, um sinal do esgotamento desse modelo econômico. A economia entra em um período conhecido posteriormente por estagflação (estagnação econômica e inflação), o desemprego aumenta, e os EUA começam a viver em um pântano no Vietnã. O brilho da Era de Ouro se apaga de vez. Os anos a partir de 1973 seriam, de novo, de crise.

"No Future"
É neste contexto, de crise social, desemprego crescente e aumento das desigualdades, que surge o movimento punk, através de uma juventude sem futuro que resolve voltar-se contra este estado de coisas. Uma geração que, insatisfeita com tudo, invoca o espírito da mudança. Jovens operários, pobres e desempregados de Londres e Nova Iorque, que não enxergam perspectivas de futuro neste sistema e se revoltam.

A resposta à repressão e ao moralismo da época foi dada usando o próprio corpo como forma de expressão. Contra o conservadorismo da sociedade burguesa, as roupas do dia-a-dia foram rasgadas, e receberam mensagens, símbolos, alfinetes e correntes, com um visual que fugia aos padrões de todo tipo de modismo e consumismo. Os cabelos "coloridos, moicanos ou espetados" também chocaram a sociedade e os bons modos.

Os punks queriam mostrar seu repúdio a todas as formas de fascismo, racismo, sexismo e autoritarismo, com boicotes, passeatas e panfletagens. Seguindo o lema faça você mesmo, proliferaram Fanzines (publicação independente dedicada a um público específico), com colagens onde divulgavam sua cultura anticapitalista.

Como base para todo este inconformismo social, vinha a música, refletindo todo tipo de frustração desta juventude. O som da metade final da década de 1970, o rock progressivo, com músicas que tinham mais de dez minutos e solos de guitarra intermináveis, representava tudo o que eles rejeitavam. Era o rock como obra de arte, conceitual, caro e superproduzido, egocêntrico, representado por bandas como Yes, Emerson Lake and Palmer, Gênesis etc. Para os jovens do movimento punk, este som era chato e alienante, perdera sua identidade. As letras falavam de coisas abstratas, que não faziam sentido nenhum para os jovens daquela época. A música deveria ser direta, mais acessível e expressar a indignação. Nada de rebuscamento e teoria. O som punk poderia ser tocado por qualquer um. Três acordes bastavam.

Em 1974, aparece a primeira banda punk, os Ramones, que, contra todo modismo progressivo, fazem um som simples e direto, com músicas de dois minutos que causam impacto imediato. Os Ramones reviviam o espírito do rock original dos anos 1950 e 1960, uma sonoridade que influenciou diretamente a cena punk inglesa. Pronto, agora, todos podem ter suas bandas! Como acontecia freqüentemente após os shows dos Ramones, em Londres, alguns garotos que assistiram o show resolveram montar suas próprias bandas. Entre essas pessoas estavam Joe Strummer, que formaria o The Clash e Johnny Lydon (que devido aos seus dentes estragados ficou conhecido como Johnny Podre), que se tornaria vocalista dos Sex Pistols.

Há uma polêmica sobre quando e onde teria surgido o punk, e se este estaria completando 30 anos ou mais. Esse debate pode ser resumido assim: se em Nova Iorque surgiu a primeira manifestação musical Punk, foi depois, em Londres, que o som explodiu como movimento. É lá que o punk deixa de ser substantivo, no caso de vagabundos e delinquentes, para se tornar um pólo aglutinador de toda uma geração inconformada.

Em 26 de novembro de 1976, o Sex Pistols lançam o single "Anarchy in the UK", que representava um pouco da ideologia punk: "eu sou um anti-cristo, eu sou um anarquista, não sei o que quero, mas sei como consegui-lo". Contra uma sociedade moralista e conservadora, Johnny Rotten diz pela primeira vez na televisão um palavrão (fuck) num programa às 5 da tarde. O apresentador do programa foi suspenso, e toda imprensa fez uma cobertura completa do acontecimento com manchetes de primeira página. O punk fora longe demais e a gravadora EMI rescinde o contrato com os Pistols e recolhe o disco das lojas.

Porém, o movimento punk não pode mais ser sufocado. Bandas como JAM e The Clash assinam com outras gravadoras. Em junho de 1977, os Pistols, mais uma vez, chocam o conservadorismo inglês. Em pleno jubileu da rainha, os Pistols lançam outro single "God Save the Queen", que diz: "Deus salve a rainha e seu regime fascista". É a revolta dos marginalizados do sistema contra a hipocrisia. Na Inglaterra, não se falava em outra coisa.

O movimento punk se espalha. Em novembro de 1977, os Pistols lançam um dos discos clássicos do punk-rock, "Never Mind the Bullocks" e saem em turnê pelos EUA. Quando a turnê chega ao fim, a banda também termina. Uma aparição rápida e explosiva.

Os Sex Pistols não foram a primeira banda punk, mas sem dúvida, a que fez do punk um estilo de vida e musical conhecido. No entanto, não deixou de lado o apelo comercial e de marketing, com Malcolm McLaren produzindo todo o visual da banda ou quando troca o baixista Glen Matlock por Sid Vicious, amigo de Johnny e que mal sabia tocar baixo, mas representava melhor o "estilo punk".

O Começo do Fim do Mundo no Brasil
O movimento punk no Brasil surge em São Paulo, vindo dos subúrbios. Motivos não faltavam para um movimento de rebeldia jovem no Brasil. O país vivia sob uma ditadura que sufocara os movimentos sociais e, nesse momento, estes estão ressurgindo com grande força. O punk também surge nesse novo contexto.

Uma juventude que entendeu o recado do movimento lá fora e adaptou-o à realidade local. As primeiras bandas punk aparecem em 1978, mas somente em 1982 é lançado o primeiro disco punk, "Grito suburbano", com três bandas: Olho Seco, Inocentes e Cólera. A realização do festival "O Começo do Fim do Mundo" foi o primeiro grande evento punk realizado no Brasil. Em manifesto aberto ao público, os punks declararam: ``Nosso movimento surgiu numa época de crise e desemprego com tal força que logo se espalhou pelo mundo, e cada um, à sua realidade, adotou esse tipo de protesto, punk..." Clemente Tadeu, o vocalista de Os Inocentes, era mais direto: ``Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores do Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer``.

Após 30 anos, ainda existem muitas bandas e jovens punks. Embora a sonoridade e a atitude do movimento continuem influenciando muitos grupos (como Nirvana, Green Day, Offspring dentre outras) e a música como um todo, o caráter contestador que ia dos costumes às questões políticas, infelizmente hoje permanece adormecido na maioria das bandas e artistas.

Texto publicado no jornal Opinião Socialista - Julho 2005


ISABEL CARVALHO [4:26 PM]

Recados:

[ Segunda-feira, Julho 04, 2005 ]

 
Governo petista sofre novas acusações de corrupção

Tentativa de acordo com PMDB fracassa e desgasta ainda mais Lula

Em seu depoimento à CPI dos Correios, o deputado Roberto Jefferson voltou a denunciar o esquema de corrupção dentro do governo petista. Segundo ele, há um esquema de desvio de dinheiro a partir de Furnas Centrais Elétricas que lhe havia sido descrito pelo diretor de Engenharia da estatal, Dimas Toledo.

Na empresa sobrariam R$ 3 milhões por mês. Desse total, R$ 1 milhão iria para o PT nacional, pelas mãos de Delúbio Soares, tesoureiro do partido. Outro R$ 1 milhão iria para o PT de Minas Gerais e o restante seria dividido meio a meio entre a diretoria de Furnas e um grupo de deputados do PSDB que migraram para a base aliada.

Associados a essa denúncia, novos indícios acerca da atuação do publicitário Marcos Valério, aliado do PT no esquema do mensalão, complicam ainda mais a vida de Lula. Para tentar abafar a crise que se instalou no governo, Lula anunciou uma coalizão com o PMBD, partido fisiologista que abriga vários corruptos da política nacional, como Renan Calheiros, Sarney, Quércia, Garotinho e sua esposa, além do presidente Michel Temer.

Em troca do apoio dos peemedebistas no Congresso para tentar brecar as denúncias de corrupção em seu governo, Lula ofereceu os ministérios das Minas e Energia, Integração Nacional, Saúde e das Cidades que controlam enormes verbas. Outra possibilidade aventada seria a do PMDB manter os dois ministérios que já possui, Comunicação e Previdência e escolher mais dois.

O PMBD está dividido entre os que querem cargos para se beneficiar das verbas e os que estão de olho nas eleições do ano que vem e temem um desgaste ao se associar ao governo petista. Vejam a que situação chegou o governo Lula: é rechaçado pelo PMBD.

Blindagem

O PT e os partidos governistas tentam blindar o presidente Lula de todas as denúncias de corrupção que envolvem o seu governo. A própria oposição (PSDB e PFL) também tenta desgastar o governo de forma que ele se enfraqueça até as eleições do ano que vem. FHC, Serra, Aécio Neves e o próprio Roberto Jefferson não querem que ocorra no Brasil o que aconteceu na Bolívia e Equador, países onde os trabalhadores se cansaram de tanta corrupção e foram às ruas exigir a renúncia de presidentes corruptos.

O argumento dessas pessoas é que Lula não sabia de nada. Mas o presidente sabia que Jefferson é um corrupto, líder da tropa de choque de Collor, sabia que o PMDB agrega vários nomes envolvidos em maracutaias, sabia da liberação de verbas em emendas parlamentares. E ainda vem na maior cara-de-pau afirmar que vai apurar tudo.

Os esforços do governo são patéticos ao dizer que as instituições investigam as acusações com rigor. Não se tem notícia de algo importante revelado pelo ministro da Justiça ou pelo controlador-geral da União. Lula quer que todas as investigações terminem em pizza para preservar o seu mandato.

A CUT, o MST e a UNE saíram em defesa do governo corrupto, publicando uma "carta aos brasileiros", na qual acusam as elites e a grande imprensa a tramarem com o governo Bush um golpe para impedir a reeleição de Lula.

Por trás dessa paranóia conspirativa está o interesse dessas entidades traidoras em continuar recebendo verbas do Estado através do FAT, Incra, MEC, o que rende privilégios a seus dirigentes.
ISABEL CARVALHO [1:54 PM]

Recados: