Códigos
ISABEL CARVALHO [2:41 PM]
Há uma planta em formato de marreco em frente à casa de madeira da rua paralela à minha.
ISABEL CARVALHO [2:41 PM]
chove, faz frio e intempéries...
o cheiro de mara invade todas as quinas brasileiras assoladas na corrupção
a cutaia vem atrás arrancando os cofres públicos enferrujados
preciso falar mal de alguém
do meu vizinho, do guarda de trânsito,
oposição a todos e a tudo é a melhor sensação do mundo!
portanto, sinto-me uma idiota perfeita em harmonia com as situações tolas
desse mundinho fodido!
Que horas são? Tô atrasada de novo, caramba!!
ISABEL CARVALHO [2:39 PM]
Saddam está feliz! Come Doritos em prisão secreta na América do Norte e recomenda a soldado de 19 anos casamento com mulher nem muito burra nem muito inteligente. O fundamental, segundo o ditador, é que tal mulher saiba limpar e cozinhar!
Ah, reafirmou ser ainda presidente do Iraque e que nunca escondera armas de destruição em massa!
ISABEL CARVALHO [2:27 PM]
Retrô
Retrô é retrocesso
Retrospectivas vãs
Retroativismos hipócritas
Tudo que vejo é retrô
Serei eu também?
Exceto uma ou outra progressividade
Está o retrô
Inversamente concebido nesta falsa existência
Onde deveria ser meio
É fim
Se o que pensamos é derivado daquilo que fazemos
E, logo, o que fazemos é derivado daquilo que pensamos,
Por que negar esta dialética ao vislumbrar o passado?
Na vala do retrô estão as ideologias
Quase todas se apóiam no retrô
Para aliviar o medo de refletir a si mesmas
A fé não questiona mais a verdade
Criou sua próprias verdades
E as sustentam no retrô
Na nostalgia mórbida
A filosofia respira vacilante
Busca o ar puro da racionalidade
Num ambiente sufocante
De ar mofado pela banalidade
A música e a arte
O cinema e o teatro
A poesia e a literatura
Quando não reciclados pela estupidez capitalista
Nos remetem lembranças doces
Mas pouco fomentam a verdadeira vida
O amor continua sendo inexplicável na sua essência
Por excesso dele o ser humano sente-se solitário no desejo de
amores novos
Por carência dele se deleita, em massa, em amores recauchutados
Importa amar o que se quer
Para transformar o que se tem
Sem retrô e nem complô
Com novas raízes e matrizes
Revolucionar o velho
Para esculpir o novo
Autor: Luciano Alvez
ISABEL CARVALHO [5:13 PM]