rude áspera intempestiva
idéia fixada
imaginação existente
de repente a flor
vem à tona
e um sorriso
cai dos lábios
engraçados
insurgente
tocam os meus
eloquente
fico a sorrir
sem saber
entender
seu jeito
fabuloso de ser
ISABEL CARVALHO [10:46 AM]
Sermão
Cá estou. Sem revolução, senão a interna.
A maioria banalíssima da sociedade prossegue na ilusão de ótica do processo eleitoral nos municípios. Sem grandes novidades.
Apenas o velho poderio burguês mantendo-se no poder.
E a periferia, negros, mulheres, pobres, homossexuais, prostitutas, gigolôs seguem insatisfeitos, famintos, assistindo às mentiras do Jornal Nacional. De tanto fingirem acreditar, incorporam reflexões tendenciosas, benéficas apenas àqueles que querem a grana seca na mão. Sem perdão e cada vez mais pecadores, vão pagando as prestações da recente TV adquirida e da nova roupa de grife falsa comprada no camelô do centro. E tudo prossegue como antes...
O mundo fica velho e cada vez mais imperfeito. As pessoas ignoram as utopias para uma vida melhor e se enclausuram nos sonhos inatingíveis. É galera em dia de futebol.
Enfurecidas passam o dia contando as horas para o milagre. Como gado em curral, miram fixas os olhos no infinito à espera do fim. Abatidas servem à mesa dos mesmos que as trituram, que as dissecam para manter seu padrão monetário na ordem do dia.
Quando o mundo acabar, tentarão agarrar uns aos outros, mas traídos pelo comparsa inimigo, clamarão a Deus que, naquele exato momento, estará em sono profundo.
ISABEL CARVALHO [12:00 PM]