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[ Terça-feira, Julho 27, 2004 ]

 

Atendendo a pedidos...
ISABEL CARVALHO [2:47 PM]

Recados:

 
Parte I

Dilacerados pelas regras e vapores dos carros. Sequer se dão conta de que a casa que acabaram de construir - um lar - desabará a qualquer momento. E não tem invento a ser descoberto com poder de barrar a fúria dos devastadores. São cruéis, fortes, invencíveis enquanto houver gotas de sangue que respingam dos derivados humanóides.

Esfarrapados, correm feito ratos no esgoto à procura de restos, sobras perecíveis, politicamente corretas, lançadas pelos lares dourados já falidos, porém, auto-rotulados: enobrecidos. São os amos. A eles tudo é permitido. São amigos do rei, na terra que comem não a alimentam. Apenas a desgastam, a exploram, a estragam.

À noite, ao aproximar da tempestade, rastejam-se para os lares. Esquecem para fora vários outros. Quando repentinamente, surgem dragões, muitos dragões... E as bruxas gargalham. E os magos afagam as dores daqueles que espinhos espetam os caminhos. E os gladiadores lamentam a perda da armadura.

Quantos governos terão de por aqui passar para estragar o já estragado, o já corrompido, o já corroído, o já estúpido esculpido?

Quantas religiões terão de pregar o terço esquecido, manipulado, estraçalhado pelas beatas tapadas?

Há quantos patrões (se é que existem) terão de sucumbir, ajoelhar, implorar um salário migalha?

Quantos porões existirão para encuralar a ralé faminta alienada?

Quantos amores vão encontrar para acabar com a solidão de um mundo devasso, gelado, sem graça e degolado?

Quantos mundos existem para suportar tantos tipos inacabados, que sonham o já sonhado e só repetem a velha ladainha retórica fétida?

Ah, o amor... Este velho está por aí... bate de porta em porta e acaba retornando ao saguão à espera daquele que sempre existirá com a alma lavada, a vida engrenada e mente cristalina.
ISABEL CARVALHO [11:47 AM]

Recados:

[ Terça-feira, Julho 20, 2004 ]

 

Pessoas estranhas e suas entranhas

Estou pasma com a loucura de algumas pessoas que me cercam. Sejam elas amigas, colegas de trabalho ou aquelas que simplesmente passam pelo meu dia-a-dia como cabeleireiros, manicures, médicos, dentistas, diarista, frentistas, ambulantes etc. Isso sem mencionar os familiares - estes já nasceram - como diz uma grande amiga - "fora do cabo" (deve ser o da vassoura).

Pois é. Alguns fatos têm me chamado muita atenção nestes dias. Um deles é a necessidade de se encontrar um parceiro ou uma parceira. Sejam estes parceiros pertencentes aos grupos homo, hetero, bi ou sem orientação sexual definida.
Todos juram querer encontrar um par perfeito, daqueles dos contos de fadas. Mas acabam se dando conta e quando conhecem o tal parceiro (a) a loucura é tanta que recuam por não saber mais definir um sentimento.

Dia destes, numa reunião de mulheres, ouvi o mais estapafúrdio relato. Talvez, denomino-o de estapafúrdio por não entender mais a loucura alheia. Vamos lá! Uma garota estava ansiosa para conhecer uma outra que poderia vir a ser sua próxima paixão. Chamarei a garota que queria uma nova paixão de "Garota 1" (G1) e a candidata de "Garota 2" (G2). Tudo armado! As amigas da G1 na expectativa e as da G2 na torcida.

Tudo pronto. A G1 totalmente feminina aguardava a chegada da G2. O marketing estava feito. Quando a G2 apareceu, a G1, digamos ficou muito triste. Motivo da tristeza: a G 2 era feminina demais. Usava batom, maquiagem, cuidava dos cabelos, da pele, tinha esmaltes vermelhos nas unhas, enfim, era uma lady para os padrões lésbicos masculinizadas e, pasmem, das feminilizadas também. Porém, a Garota 1 também era uma lady.

No final, depois de muito blá-blá-blá, as duas não se entenderam justamente por causa da feminilidade de ambas. Se isso não é loucura não sei mais qual é o conceito de despirocada!!

Parece-me que entre as meninas que gostam de meninas rola um preconceito sem precedente. Se uma menina quer arrumar uma namorada com visual e mente masculinizados não seria mais fácil sair à procura de um menino?

A história é essa. Não entendi muito bem, mas cheguei à conclusão de que o mundo tá muito maluco e que algumas pessoas perderam a noção do que realmente querem: seja na sexualidade, seja no lado profissional etc.

Talvez, falte à essas pessoas dispersarem a insegurança imposta pelo mundo digital e viver de forma mais light. Afinal, batom e barba não combinam. Também não entendo a masculinidade de certas mulheres nem a feminilidade de certos homens, ambas inúteis.

O caminho é longo e a procura é deserta...será o lobo-mau passeando aqui por perto?
ISABEL CARVALHO [11:28 AM]

Recados:

[ Terça-feira, Julho 13, 2004 ]

 


Em 13 de julho de 1954 morreu, no México, Frida Kahlo.

ISABEL CARVALHO [1:50 PM]

Recados:

[ Sexta-feira, Julho 02, 2004 ]

 
a carriola escapa da mão do pedreiro louco
desce a ladeira e atinge a rampa
retorna com força metafísica e debruça-se sobre a planta espinheira
lá vai o trabalho do moço afoito
embora para o bueiro dos bichos encantados

ISABEL CARVALHO [1:58 PM]

Recados: